Poder-se-ia falar do nascimento de uma nova forma de comunidade, que reuniria as pessoas online acerca de valores e interesses compartilhados, criando laços de apoio e amizade através dos espaços físicos mais longínquos possíveis ou próximos e que poderiam se estender à interação face a face, como previsto no livro The virtual community (RHEINGOLD, 1993, in CASTELS, 2003, p. 100).
Reflexão:
Com o avanço das tecnologias digitais e da comunicação em
rede, pode-se afirmar que estamos a assistir ao nascimento de uma nova forma de
comunidade. Tal como previu Rheingold (1993), e posteriormente analisado por
Castells (2003), estas comunidades emergem da interação entre indivíduos
reunidos em torno de interesses e valores partilhados, independentemente da sua
localização geográfica. As chamadas comunidades virtuais constroem-se com base
em afinidades eletivas e vínculos simbólicos, permitindo a criação de laços de
apoio, amizade e cooperação que, muitas vezes, se estendem à interação
presencial. Esta forma de sociabilidade glocal – simultaneamente local e global
– traduz-se numa nova configuração da cidadania, em que o sentido de pertença e
participação é mediado por plataformas digitais. Em Portugal, é possível
identificar esta realidade em iniciativas como a Rede Convergir, que
articula cidadãos e organizações de diferentes regiões do país em torno da
sustentabilidade, do consumo consciente e da transição ecológica (Rede
Convergir, n.d., https://www.redeconvergir.pt).
Assim como, a Rede DLBC Lisboa, que conecta diversos atores locais —
associações, escolas, autarquias e cidadãos — para o desenvolvimento
comunitário baseado em estratégias participativas (DLBC Lisboa, n.d., https://www.dlbclisboa.pt).
Também, as plataformas digitais de economia circular e partilha, como, a Troca
por Troca, um grupo com forte presença em redes sociais que promove a troca
direta de bens e serviços, e o projeto Re-Food, que combate o
desperdício alimentar através de redes comunitárias locais (Re-Food, n.d., https://www.re-food.org),
ilustram a emergência destas novas comunidades. Ainda que estas comunidades não
substituam as estruturas materiais tradicionais, representam uma poderosa
reconfiguração da vida coletiva, desafiando os modelos convencionais de
organização social e reforçando a importância da comunicação digital na
construção de redes de solidariedade, identidade e ação coletiva.
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