UNIDADE I - Tecnologia, Sociedade e transformação histórica
Com base nas leituras indicadas no Contrato de Aprendizagem, vamos refletir sobre o indicado abaixo:
A revolução da tecnologia da informação foi essencial para a implementação de um importante processo de reestruturação do sistema capitalista a partir da década de 1980” (Castells, 2022, p.71).
E agora, em 2025, o mundo parece caminhar para uma configuração política, econômica e social, (guerra comercial, movimentos contra a imigração etc.), Como podemos entender o conceito de “rede” adotado por Castells refletindo na comunicação e nos negócios com essa nova configuração?
A Rede como Forma
Estrutural na Reconfiguração Global: Reflexões a partir de Castells
A
afirmação de Manuel Castells de que “a revolução da tecnologia da informação
foi essencial para a implementação de um importante processo de reestruturação
do sistema capitalista a partir da década de 1980” (Castells, 2022, p. 71)
sintetiza Uma volta histórica sob a forma de organização política, económica e
social. Esta revolução, caracteriza-se pela convergência entre inovação
tecnológica, neoliberalismo e globalização. Assim, surgiu por palavras do autor
a “sociedade em rede” - que configura uma estrutura dinâmica interconectada e
descentralizada que redefine os fluxos da comunicação, do poder e valor.
Segundo
Castells (1999), A rede é uma forma dominante de organização na era da
informação. Ao contrário da hierarquia vertical da sociedade industrial, a rede
é flexível, adaptável e global. Cada rede é composta por vários nós que
representam pontos estratégicos onde circulam dados, decisões e recursos. Empresas
governos cidadãos e movimentos sociais tornam-se “nós”, que, interligados
interagem continuamente. Desta forma, o capital, o trabalho e a cultura começam
a ser mediados por estas redes digitais, o que afeta profundamente a forma como
comunicam e se relacionam.
Contudo,
em 2025 esta promessa libertadora vinda das redes depara-se com novos desafios,
uma vez quem, o mundo passa a estar pautado pela fragmentação política, tensões
económicas e crises de confiança institucional. A ascensão de movimentos
nacionalistas, a intensificação da guerra comercial entre vários países como os
Estados Unidos e a China, a forte contestação da imigração e o surgimento de
políticas protecionistas fragmentam o sistema interdependente que foi criado
pelas redes globais. A tensão entre conectividade técnica e fragmentação
política, coloca a descoberto os limites da retórica “aldeia global” (McLuhan,
1964) e do tecnotimismo inicial associado à internet.
As
redes de comunicação, como o Google, Meta e Amazon, por exemplo, foram
gradualmente capturadas por grandes plataformas privadas. Conforme argumenta
Zuboff (2019), estas empresas consolidaram um modelo de capitalismo de
vigilância, onde os dados pessoais são extraídos, analisados e monetizados sem
transparência, transformando o cidadão em produto. Essa lógica altera
radicalmente a relação entre tecnologia e democracia, pois, como adverte
Bartlett (2019), “a internet não foi desenhada para sustentar a democracia, mas
sim para servir ao lucro”.
No
âmbito dos negócios, a fragmentação geopolítica leva a uma reconfiguração das
redes de produção e comércio internacional. Com a pandemia de COVID-19, as
guerras tecnológicas e os riscos climáticos Obrigaram os governos e empresas a
repensar um modelo das suas dependências, para tal, utilizaram estratégias como
realocar cadeias de abastecimento e promover estratégias de “nearshoring” e
“friendshoring” (Gereffi, 2020). Os negócios continuam organizados em rede, mas
a disputa pelos “nós” estratégicos, como semicondutoras infraestruturas
digitais e logística global, torna-se mais intensa.
Também,
a noção de espaço Público em rede sofre mutações. Embora a Internet tenha criado
arenas de participação para os cidadãos, estas práticas são cada vez mais
condicionadas por algoritmos e campanhas de desinformação. A comunicação em
rede, longe de ser neutra, torna-se palco de conflitos ideológicos, polarização
e manipulação cognitiva (Silveira, 2018).
Atualmente,
as redes continuam a desempenhar um papel fundamental na configuração do mundo.
Contudo, como indica Van Dijck (2013), é necessário distinguir entre
infraestruturas técnicas e infraestruturas sociais e políticas. As redes não
são apenas sistemas tecnológicos; são espaços de disputa simbólica, de poder e
de resistência.
Em
suma, a ideia de Castells mantém-se válida e atualizada as redes estruturam um
mundo contemporâneo. Contudo, em 2025, essa estrutura está intenção entre a
lógica da interconectividade e a realidade da fragmentação global. É necessário
compreender a rede através da sua forma e como campo de luta que se tornou, de
forma a repensar a comunicação , os negócios e a cidadania num mundo cada vez
mais instável e em contínua transformação.
Referências bibliográficas
Bartlett, J. (2019). The people vs tech: How the internet is
killing democracy (and how we save it). Random House.
Castells, M. (1999). A sociedade em rede (Vol. 1). Lisboa:
Fundação Calouste Gulbenkian.
Castells, M. (2022). A era da informação: economia,
sociedade e cultura. Volume I: A sociedade em rede (15.ª ed.). Lisboa: Fundação
Calouste Gulbenkian.
Gereffi, G. (2020). What does the COVID-19 pandemic teach us
about global value chains? The case of medical supplies. Journal of
International Business Policy, 3(3), 287–301.
https://doi.org/10.1057/s42214-020-00062-w
Luvizotto, C. K., & Sena, K. E. R. (2022). Cidadania
digital e tecnologia em rede: entre comunicação, algoritmos e aplicativos
cívicos. Liinc em Revista, 18(2), e6070.
https://doi.org/10.18617/liinc.v18i2.6070
McLuhan, H. M. (1964). Understanding media: The extensions
of man. New York: McGraw-Hill.
Silveira, S. A. (2018). Tecnopolíticas da vigilância:
perspectivas da margem. São Paulo: Boitempo.
Van Dijck, J. (2013). The culture of connectivity: A
critical history of social media. Oxford University Press.
Zuboff, S. (2019). The age of surveillance capitalism: The
fight for a human future at the new frontier of power. PublicAffairs.

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